4 de setembro de 2011

ELA POR ELES/ELAS - VIRGÍNIA WOOLF




O mundo contemporâneo produz modos de existência cada vez mais singulares. Os antigos papéis sociais ligados ao feminino encontram-se multifacetados. Hoje existem muitas maneiras de ser mulher e de se viver o feminino.

Para entender a complexidade que envolve este fenômeno, o Curso Superior de Psicologia da Faculdade IENH elaborou o Curso de Extensão Ela por Eles e Ela por Elas. O primeiro encontro ocorreu no dia 02 de setembro e teve como tema: Wirginia Woolf e os múltiplos espelhos do feminino. O comentarista da noite foi o professor Leonardo Martins Garavelo.

Um momento que teve destaque foi a leitura da última carta de Virgínia a Leonardo Woolf, momento que foi acompanhado ao violino pela aluna da 3ª série do Ensino Médio, Bárbara Melilo. Confira a carta abaixo.

Querido,

Tenho certeza de que estou enlouquecendo de novo.

Sinto que não podemos passar por outra daquelas terríveis fases. E desta vez não ficarei curada.

Começo a ouvir vozes, e não posso me concentrar.

Assim, estou fazendo o que me parece melhor.

Você me deu a maior felicidade possível. Não creio que duas pessoas pudessem ser mais felizes até chegar esta doença terrível. Não consigo mais lutar.

Sei que estou estragando a sua vida e que sem mim você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Está vendo, nem consigo mais escrever adequadamente.

Não consigo ler. O que quero dizer é que devo a você toda a felicidade da minha vida. Você foi absolutamente paciente comigo e incrivelmente bom. Quero dizer isso — e todo mundo sabe. Se alguém pudesse me salvar, teria sido você. Perdi tudo, menos a certeza da sua bondade.

Não posso mais continuar estragando sua vida. Não creio que duas pessoas tenham sido mais felizes do que nós fomos.

Virginia Woolf, 1941.

O Curso tem por objetivo promover o contato com a obra de quatro importantes escritores que abordam o feminino: Virginia Woolf, Charles Bukowski, Clarice Lispector e Franz Kafka. Tendo como critério a leitura e a reflexão de um conto específico em cada encontro pretende-se promover o estudo e a discussão das perspectivas abordadas por cada um dos textos e autores. Os próximos encontros serão nos dias 30 de setembro, 28 de outubro e 25 de novembro.

1 de setembro de 2011

Lembrete: sexta-feira com Vírginia

Prezados participantes inscritos no curso de extensão ELA por Eles/Elas.
É com expectativa que lembramos a todos que teremos nosso primeiro encontro nesta sexta-feira,
2 de setembro, 19hs.
O curso teve uma procura muito além do que havíamos projetado.
Sugiro que cheguem com antecedência para garantirmos rigor nos horários de início e término.
No mais, um bom dia e aqueçam seus devires-virginia woolf!
Segue o conto que será lido e trabalhado neste encontro.
 
Professor do curso de Psicologia IENH: Luciano Bedin da Costa

Virgínia Woolf

(Inglaterra, 1882-1941)

A mulher no espelho



As pessoas não deviam deixar espelhos pendurados nas salas, nem talonários de cheques abertos ou cartas confessando algum crime odioso. Impossível as pessoas deixarem de se olhar, naquela tarde de verão, no longo espelho que pendia no salão. O acaso o pusera ali. Das profundezas do sofá na sala de visitas a pessoa via refletida no espelho italiano não somente a mesa de tampo de mármore em frente, como também um pedaço do jardim. Via-se um longo caminho relvado avançando entre barreiras de flores altas, até que, formando um ângulo, a borda dourada do espelho o suprimia.
A casa estava vazia, e a pessoa se sentiria, se fosse a única na sala de visitas, como um daqueles naturalistas que, recoberto de ervas e de folhas, fica observando as mais tímidas das criaturas — texugos, lontras, martins-pescadores — andarem à vontade, também eles invisíveis. Naquela tarde a sala estava cheia desses animais assustadiços, de luzes e de sombras, cortinas enfunadas, pétalas caindo — coisas que nunca aconteciam, ao que parece, se alguém estivesse olhando. A tranqüila sala do velho lar com seus tapetes e chaminé de pedra, suas estantes baixas e armários laqueados de vermelho e de dourado, enchia-sede tais criaturas noturnas. Elas chegavam piruetando no chão, pisando macio com os pés altos, e esses pormenores, mais as caudas desdobradas e os famintos bicos alusivos, os assemelhavam a um grupo de elefantes ou bando de flamingos cuja cor vermelho-pálida houvesse desbotado, ou de perus cujas caudas estivessem cobertas de prata. Havia também obscuros rubores e sombreamentos, como se uma tivesse de repente banhado o ar de púrpura; e as paixões, ódios, invejas e tristezas avançavam sobre a sala e a envolviam como um ser humano. Nada permaneceu igual durante dois segundos.
No entanto, de fora, o espelho refletia a mesa do salão, os girassóis, as flores batidas de sol, o caminho do jardim, de forma tão exata e tão estável que eles pareciam presos à sua realidade inescapável. O contraste era estranho — aqui, tudo em mutação, lá tudo em calmaria. Impossível deixar de olhar deum para o outro.
Nesse ínterim, estando as portas e janelas todas abertas por causa do calor, ouvia-se um perpétuo som de suspiro e suspensão, a voz do transitório e do perecível, parece, indo e vindo semelhante à respiração humana, enquanto no espelho as coisas haviam cessado de respirar e quietas jaziam no transe da imortalidade.
Meia hora atrás a dona da casa, Isabela Tyson, descera o caminho relvado, num leve vestido de verão, levando um cesto, e desaparecera, suprimida pela moldura dourada do espelho. Provavelmente fora para a parte baixa do jardim colher flores; ou, como parecia mais natural supor, colher alguma coisa leve e fantástica e folhada e trepadora, a clematite, ou um desses elegantes ramos de convólvulos que serpeiam em feias paredes e irrompem aqui e ali em florações brancas e violetas. Ela recomendava as convolvulvoláceas fantásticas e trêmulas em lugar da áster vertical, da zínia rija ou de suas próprias rosas ardentes acesas como lâmpadas nas estacas verticais das roseiras. A comparação mostrava o pouco que se sabia a seu respeito, depois de tantos anos; pois é impossível que uma mulher de carne e osso, de 55 ou 60 anos, fosse realmente uma grinalda ou uma gavinha. Tais comparações são muito sem sentido e superficiais — até cruéis, pois que chegam, como os convólvulos, tremendo entre os olhos de alguém e a verdade. Deve haver verdade; deve haver um muro. Contudo, era estranho que, após conhecê-la durante aqueles anos todos, não se pudesse dizer qual a verdade acerca de Isabela; ainda eram formuladas frases como aquela sobre os convólvulos e a clematite. Quanto aos fatos, ela era solteira; rica; comprara a casa e acumulara pelas próprias mãos — muitas vezes nos cantos mais ignotos do mundo e correndo grande risco de picadas venenosas e doenças orientais — os tapetes, as cadeiras, os armários que agora viviam sua vida noturna perante o olhar de qualquer um. Às vezes parecia que eles sabiam mais a respeito de Isabella do que nós, que neles nos sentávamos, neles escrevíamos, neles andávamos com muito cuidado, viríamos a saber. Em cada um daqueles armários havia muitas gavetas pequenas, e todas, quase com certeza tinham cartas atadascom laços de fitas, perfumadas com ramos de lavanda ou pétalas de rosa. Pois também era outro fato — se fatos era o que se pedia — que Isabela conhecera muita gente, tivera muitos amigos; e portanto, se alguém por audácia abrisse uma gaveta e lesse suas cartas, encontraria sinais de conflitos, de encontros marcados, de censuras pelos desencontros, longas cartas de intimidade e afeto, cartas violentas de ciúme e reprovação, terríveis palavras finais e de separação— pois todas aquelas entrevistas e encontros amorosos a nada levaram — ou seja, ela jamais casou, e no entanto, a julgar por uma indiferença em seu rosto, semelhante a uma máscara, ela passara 20 vezes mais pela paixão e pela experiência amorosa do que aqueles amores apregoados para que o mundo primeiro ouvisse.
Sob a pressão dos pensamentos acerca de Isabela, a sala tornou-se mais escura e mais simbólica; os cantos pareciam ainda mais sombrios, as pernas das cadeiras e mesas mais delgadas e hieroglíficas.
De súbito, esses reflexos findaram violentamente e sem um som sequer. Uma grande forma preta assomou no espelho; borrou tudo, derramou na mesa um pacote de placas de mármore de veios róseos e cinzentos, e desapareceu. Mas o quadro ficou completamente alterado. Por um instante ele esteve irreconhecível, irracional e totalmente fora de foco. Não se podia relacionar aquelas placas a algum propósito humano. E, aos poucos, algum processo lógico se pôs a atuar sobre eles, começou a ordená-los e arranjá-los e os trouxe ao redil da experiência comum. Verificou-se afinal que não passavam de cartas. O agente trouxera a correspondência.
Lá ficaram, na mesa de tampo de mármore, todas cheias de luz e de cor, a princípio ostensivas e impermeáveis. Depois, causou estranheza ver que as cartas eram estendidas e dispostas, e juntas faziam parte do quadro, adquirindo aquela serenidade e imortalidade concedidas pelo espelho. Lá estavam, investidas de uma nova realidade e significação, e também de maior peso, como se fosse necessária uma formação para destacá-las da superfície da mesa. E, fantasiaou não, pareciam ter se transformado não apenas num punhado de cartas ocasionais, mas em chapas gravadas com a verdade eterna — se fosse possível lê-las saber-se-ia tudo que houvesse saber acerca de Isabela, sim, e da vida também.
Os papéis dentro dos envelopes semelhantes a mármore deviam estar pejados de significados. Isabela entraria, pegaria as cartas uma a uma, bem devagar, abriria e leria cada uma com cuidado e palavra após palavra, e em seguida, soltando um profundo suspiro de compreensão, como se houvera estado no fundo de tudo, Isabela rasgaria os envelopes em pedacinhos e ataria as cartas e fecharia a gaveta do armário, disposta que estava a esconder o que não queria que fosse descoberto.
O pensamento serviu como um desafio. Isabela não desejava ser conhecida — mas agora não podia escapar. Um absurdo, uma monstruosidade. Se ela ocultava tanto e sabia de tanta coisa, devia-se nesse caso forçá-la a arrombar a gaveta com o primeiro instrumento à mão. Devia-se fixar a mente em Isabela naquele exato instante. Devia-se pressioná-la. Devia-se recusar que continuassem a nos dissuadir com ditos e feitos, tais como o momento produzia — com jantares e visitas e conversas polidas. Devia-se tentar calçar os sapatos dela. Tomada a frase em seu sentido literal, era fácil ver os sapatos que ela calçava, no jardim de baixo, naquele momento. Eram muito estreitos, compridos e estavam na moda — feitos com o mais macio e o mais flexível dos couros. A exemplo de tudo o que ela usava, os sapatos eram finos. E ela estaria em pé, embaixo da sebe alta, na parte inferior do jardim, levantando a tesoura atada ao punho para cortar uma flor morta, um ramo excedente. O sol lhe banharia o rosto, os olhos; mas não, no momento crítico a mantilha de uma nuvem cobriu o sol, tornando duvidosa a expressão dos olhos dela — zombeteira ou meiga, vivaz ou embotada? Apenas se distinguia o esboço indeterminado de rosto belo um tanto pálido e que fitava o céu. Ela pensava, talvez, em encomendar uma rede nova para os morangos; que devia mandar flores à viúva de Johnson; que era tempo de sair de carro para ver os Hippesley em sua nova casa. Seguramente eram estas as coisas de que ela falava ao jantar. Mas já estavam cansados das coisas de queela falava ao jantar. Queriam descobrir o seu mais profundo estado de ser e transformá-lo em palavras, o estado que é para a mente o que a respiração é para o corpo, o que se chama felicidade ou infelicidade. À menção dessa palavra, tornou-se óbvio, certamente, que Isabela devia ser feliz. Era rica; era bem relacionada; tinha muitos amigos, viajava — comprava tapetes na Turquia e cântaros azuis no lram. Caminhos de prazer abriam-se nesta e naquela direção,a partir de onde ela estivesse com a tesoura erguida para cortar os ramos trêmulos enquanto nuvens rendadas lhe velavam a face.
Com um rápido movimento da tesoura ela decepou o ramo da clematite, que caiu no chão. Ao cair, seguramente uma luz entrou também, seguramente se pôde penetrar um pouco mais no seu ser. O espírito de Isabela estava cheio de ternura e remorso... Cortar um ramo enorme entristeceu-a porque ele havia vivido, e a vida lhe era cara. Sim, e ao mesmo tempo a queda do ramo lhe sugeria como morrer, e toda a futilidade e evanescência das coisas. E, outra vez recolhendo este pensamento, com seu bom senso instantâneo, ela pensou que a vida a tratara bem; se tivesse de cair, era para ficar na terra e docemente fertilizar as raízes das violetas. Continuou a pensar desse modo. Sem formar um pensamento preciso — por ser uma dessas pessoas reticentes mantinha os pensamentos enredado sem nuvens de silêncio — ela estava cheia de pensamentos. O espírito de Isabela assemelhava-se a sua sala onde luzes avançavam e recuavam, chegavam com piruetas e pisavam macio, desdobravam as canelas e ficavam; e todo o ser de Isabela foi coberto, como a sala novamente, por uma nuvem de algum conhecimento profundo, algum remorso não mencionado, e ela encheu-se de gavetas fechadas, entupidas de cartas, tal e qual seus armários. Falar em “arrombá-la” como se ela fosse uma ostra, utilizar apenas o mais belo e mais sutil e mais dócil dos instrumentos contra ela era uma impiedade, um absurdo. Devia-se imaginar— ei-la no espelho. Causou sobressalto.
A princípio ela estava tão longe que não se podia vê-la com clareza. Veio andando vacilante, endireitando uma rosa aqui, ali, levantando um cravo para cheirá-lo, mas sem parar; e enquanto isso ela se tornava maior, cada vez maior no espelho, cada vez mais a pessoa em cuja mente se tentava entrar. Isabela era examinada aos poucos — ajustando-se às qualidades descobertas neste corpo visível. Havia o vestido verde-acinzentado, os sapatos de bico fino, o cesto e alguma coisa cintilante na sua garganta. Ela se aproximou tão gradualmente que não pareceu desarranjar o contorno no vidro, mas somente trazer um novo elemento que se movia de leve e alterava os outros objetos, como quem pede cortesmente espaço para Isabela. E as cartas e a mesa e o caminho relvado e os girassóis à espera no espelho separaram-se e abriram-se de modo a que ela pudesse ser recebida entre eles. Afinal, ei-la, no salão. Deteve-se. Ela parou em pé junto à mesa. Ela parou completamente imóvel. De imediato o espelho começou a verter sobre ela uma luz que parecia pregá-la; que parecia um ácido que corróio não-essencial e o superficial e deixa apenas a verdade. Era um espetáculo encantador. Tudo imanava de Isabela — nuvens, vestidos, cesto, diamante — tudo o que fora chamado de planta rasteira e convólvulo. Eis a dura parede embaixo. Eis a própria mulher. Ela se erguia nua naquela luz impiedosa. E nada havia.
Isabela estava completamente vazia. Não tinha pensamentos. Não tinha amigos. Não cuidava de ninguém. Quanto às cartas, eram todas contas. E enquanto ali estava, velha e angulosa, jaspeada e coberta de rugas, com o seu nariz arrebitado e o pescoço vincado, ela nem sequer se deu ao trabalho de abri-las.
As pessoas não deviam dependurar espelhos em suas salas.

28 de agosto de 2011

OS FIOS QUE NOS ENTRETECEM




Reza o mito que Ariadne, temendo pela vida de seu amado Teseu, entregou-lhe um novelo antes que o corajoso jovem adentrasse o temível labirinto. Teseu enfrentou o labirinto, matou o Minotauro e, com a ajuda do fio que desenrolara, conseguiu encontrar a saída. Isso se deu na mitológica Creta. E hoje, quem nos oferece, amorosamente, os fios para que não nos percamos nos labirintos da vida?
Na verdade, somos todos artesãos tecendo as nossas vidas. Nós somos os responsáveis pela confecção da malha que nos interliga e nos constitui. Nas tramas, tecemos e desfiamos o eu, o tu e nós, com laçadas mais apertadas ou mais soltas, com maior ou menor quantidade de fios - tudo depende de quem entretece e de quem admira a beleza da trama. O que importa é o tecer: tecer com o coração, com os fios que temos hoje, inspirados no movimento das nuvens que  tornam interessantes os nossos céus – no nosso tempo e no nosso espaço legítimos, porque nossos.  Isso porque, parafraseando Drummond, o tempo presente é a nossa matéria: a vida presente, as pessoas presentes.
E as linhas para essa tecelagem, de onde vêm? Vêm do presente e dos presentes. Explico: o tempo de viver vem com bagagens, presentes, surpresas. E elas presentificam, no hoje, uma rede tecida com laçadas do ontem, projetando o amanhã, construindo e desconstruindo os nossos caminhos nas esquinas do labirinto da vida. E o Minotauro? Bem, nossos monstros têm o tamanho e a força que damos a eles.
Assim, na caminhada que iniciamos esse ano, os fios para tecê-la, em parte, já existem. Muitos outros ainda esperam pelo fuso. O que é certo é que o tipo de laçadas, a escolha das cores, das texturas, dos fios são escolhas de cada tecelão, de cada tecelã que vai se constituindo e se (re)inventando e (re)inventando o outro. Empregar os fios que nos são estendidos, de um tecido a outro, também são escolhas – constituintes do nós. Nesse entrelaçar, cabe, para concluir, a lembrança do poema de João Cabral de Melo Neto:

Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
2.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretecendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

            Começamos uma trajetória em que entreteceremos, juntos, como no poema, muitas manhãs. Sejam, pois, todos convidados a fazer parte dessa arte que é tecer a Psicologia dos nossos dias.  


DIA 27/08 - DIA DOS PSICÓLOGOS - 
            O texto foi escrito pela professora Luciane Raupp, um presente a esse grupo que começa a tecer a história da Psicologia na IENH.
            A partir de suas impressões, escreva, para nós, que outras possíveis leituras podem ser feitas.

Vídeo Zygmunt Bauman

http://www.youtube.com/watch?v=POZcBNo-D4A&feature=player_embedded#!

9 de agosto de 2011

O que está acontecendo no mundo?


As massas do mundo voltam a pedir cabeças novamente???


Londres em chamas, Madri ocupada por milhares de jovens desempregados, estudantes chilenos ocupam as ruas, as massas árabes dizem basta às monarquias, afinal o que está acontecendo no mundo?

Neste Artigo publicado hoje no jornal Folha de São Paulo, Vladimir Safatle, professor livre docente do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), especialista em epistemologia (teoria do conhecimento) e filosofia da música faz uma reflexão sobre o que ocorre no mundo hoje.




Maria Antonieta
Vladimir Safatle

Em 2006, a cineasta Sofia Coppola lançou um filme sobre Maria Antonieta. Ao contar a história da rainha juvenil que vivia de festa em festa enquanto o mundo desabava em silêncio, Coppola acabou por falar de sua própria geração.

Esta mesma que cresceu nos anos 1990.

No filme, há uma cena premonitória sobre nosso destino. Após acompanharmos a jovem Maria por festas que duravam até a manhã com trilhas de Siouxsie and the Banshees, depois de vermos sua felicidade pela descoberta do "glamour" do consumo conspícuo, algo estranho ocorre.

Maria Antonieta está agora em um balcão diante de uma massa que nunca aparece, da qual apenas ouvimos os gritos confusos. Uma massa sem representação, mas que agora clama por sua cabeça.

Maria Antonieta está diante do que não deveria ter lugar no filme, ou seja, da Revolução Francesa. Essa massa sem rosto e lugar é normalmente quem faz a história. Ela não estava nas raves, não entrou em nenhuma concept store para procurar o tênis mais stylish.

Porém ela tem a força de, com seus gritos surdos, fazer todo esse mundo desabar.

Talvez valha a pena lembrar disso agora porque quem cresceu nos anos 1990 foi doutrinado para repetir compulsivamente que tal massa não existia mais, que seus gritos nunca seriam mais ouvidos, que estávamos seguros entre uma rave, uma escapada em uma concept store e um emprego de "criativo" na publicidade.

Para quem cresceu com tal ideia na cabeça, é difícil entender o que 400 mil pessoas fazem nas ruas de Santiago, o que 300 mil pessoas gritam atualmente em Tel Aviv.

Por trás de palavras de ordem como "educação pública de qualidade e gratuita", "nós queremos justiça social e um Estado-providência", "democracia real" ou o impressionante "aqui é o Egito" ouvido (vejam só) em Israel, eles dizem simplesmente: o mundo que conhecemos acabou.

Enganam-se aqueles que veem em tais palavras apenas a nostalgia de um Estado de bem-estar social que morreu exatamente na passagem dos anos 1980 para 1990.

Essas milhares de pessoas dizem algo muito mais irrepresentável, a saber, todas as respostas são de novo possíveis, nada tem a garantia de que ficará de pé, estamos dispostos a experimentar algo que ainda não tem nome.

Nessas horas, vale a lição de Maria Antonieta: aqueles que não percebem o fim de um mundo são destruídos com ele. Há momentos na história em que tudo parece acontecer de maneira muito acelerada.

Já temos sinais demais de que nosso presente caminha nessa direção. Nada pior do que continuar a agir como se nada de decisivo e novo estivesse acontecendo.

CURSO DE EXTENSÃO PROMOVIDO PELO CURSO DE PSICOLOGIA

4 de agosto de 2011

SÁBADO, DIA 6/08, INÍCIO DO CURSO: PSICODIAGNÓSTICO NA INFÂNCIA




OBJETIVOS- Incentivar a formação continuada dos alunos e profissionais da área da avaliação psicológica, especificamente no que se refere ao psicodiagnóstico na infância.
- Refletir acerca da fundamentação teórica do processo de psicodiagnóstico.
- Capacitar e instrumentalizar alunos e profissionais para aplicação, correção e interpretação de testes psicométricos e projetivos.
PÚBLICO-ALVOProfissionais e estudantes de Psicologia.
PROGRAMAMódulo I - Fundamentos do psicodiagnóstico na infância
Entrevista inicial com pais, anamnese, hora de jogo, o setting e a seleção da bateria de testes, as entrevistas devolutivas e a redação do informe psicológico (casos clínicos).
Carga horária: 6 horas
Ministrante: Ms. Vanessa Stumpf Heck
Data e horário
06/08, sábado, das 9h às 12h
20/08, sábado, das 9h às 12h
Investimento
Alunos, ex-alunos e instituições conveniadas – R$ 60,00
Comunidade em geral – R$ 70,00

Módulo II - Diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade na infânciaAvaliação inicial com os pais; avaliação com a criança; avaliação com os professores; uso de testes psicométricos na avaliação da atenção; diagnóstico de TDAH na infância; casos clínicos.
Carga horária: 4 horas
Ministrante: Ms. Jeane Lessinger Borges
Data e horário
26/08, sexta-feira, das 18h às 22h
Investimento
Alunos, ex-alunos e instituições conveniadas – R$ 40,00
Comunidade em geral – R$ 50,00

Módulo III – Avaliação de risco e proteção em criança em situação de vulnerabilidadeDefinição de fatores de risco e de proteção; avaliação dos contextos do desenvolvimento (família, instituição e a rua); avaliação de situações de risco; a notificação de situações de violência; o trabalho na rede de proteção.
Carga horária: 4 horas
Ministrante: Ms. Jeane Lessinger Borges
Data e horário
27/08, sábado, das 8h às 12h
Investimento
Alunos, ex-alunos e instituições conveniadas – R$ 40,00
Comunidade em geral – R$ 50,00

Módulo IV - Avaliação da inteligência na infânciaDefinição de psicometria, breve histórico dos testes de inteligência e aplicação, correção e interpretação dos seguintes testes: WISC-III, Matrizes Progressivas Coloridas de Raven e Escala de Maturidade Mental Columbia.
Carga horária: 6 horas
Ministrante: Ms. Flávia Wagner
Data e horário
03/09, sábado, das 9h às 12h
17/09, sábado, das 9h às 12h
Investimento
Alunos, ex-alunos e instituições conveniadas – R$ 60,00
Comunidade em geral – R$ 70,00

Módulo V - As técnicas projetivas no psicodiagnóstico infantilA técnica dos Desenho-Estória, o Teste H.T.P. e Teste de Contos de Fadas.
Carga horária: 6 horas
Ministrante: Ms. Lisandre Dreyer da Silva Matte
Data e horário
01/10, sábado, das 9h às 12h
15/10, sábado, das 9h às 12h
Investimento
Alunos, ex-alunos e instituições conveniadas – R$ 60,00
Comunidade em geral – R$ 70,00

MINICURRICULOS MINISTRANTES
Jeane Lessinger Borges
Psicóloga (UNISINOS), Mestre em Psicologia (UFRGS), Pesquisadora em Psicologia do Desenvolvimento em situações de vulnerabilidade psicossociais, violência contra crianças e psicóloga clínica – abordagem Terapia Cognitiva-Comportamental. Professora da SETREM.
Vanessa Stumpf Heck
Doutoranda e Mestre em Psicologia pela UFRGS. Especialista em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica pelo IEPP.
Flávia Wagner
Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica - Avaliação Psicológica (UFRGS), Mestre e Doutoranda em Psicologia (UFRGS).
Lisandre Dreyer da Silva Matte
Psicóloga, Mestre em Psicologia Social e da Personalidade (PUCRS). Especialista em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica pelo IEPP.

INVESTIMENTO PARA TODO O EVENTO
(Carga horária total: 26 horas)
Interessados em realizar todos os módulos do curso terão desconto no valor final.
Alunos, ex-alunos e instituições conveniadas – R$ 247,00
Comunidade em geral: R$ 260,00
CONDIÇÕES DE PAGAMENTO: inscrições realizadas diretamente com o Protocolo da Fundação Evangélica, podem ser parceladas em até 04 vezes no cartão de crédito.
Observação: Para receber o desconto de Alunos, Ex-alunos e Instituição conveniada, é necessário efetuar o pagamento no Protocolo da Fundação Evangélica.
LOCAL: Sala de Eventos da Unidade Fundação Evangélica.